Deus, a telinha

 Onde você viu essa roupa que está usando?

Acho que foi em um comercial.

Onde foi que ouviu essa gíria que está falando?

Aposto que foi depois do jornal.

Quem foi que te disse tudo isso que você sabe?

Será que você sabe mesmo de algo?

Você pode pensar que o seu pensamento é seu

Mas, na verdade, ele veio de um deus.

O seu deus é de plasma, 42 polegadas,

comprado em 12 vezes nas Casas Bahia, quem diria

Ele manda em você e, sem nem perceber,

você obedece a TV. Continuar lendo

Eu, você, dois incêndios e uma dentadura

É engraçado como o ser humano(leia-se: Eu, me colocando na arrogante posição de representante de toda a raça humana) nunca está satisfeito com nada. Isso pode ser bom por você estar sempre impondo a si mesmo novas metas a alcançar ou ruim por você sempre viver reclamando da vida seja sozinho ou na internet(que também é reclamar sozinho mas com a possibilidade de ganhar uns likes/retweets no processo). Mas não é sobre problemas do mundo atual que eu vim falar hoje.

Tava pensando em como eu sinto falta do ramal Japeri dos trens da Supervia. Ele era realmente muito bom e eu não dava seu devido valor.  Sempre tinha alguma coisa interessante acontecendo pra me distrair, todo aquele contato humano, gente bonita e o mais importante de tudo eu estava muito mais seguro do que eu estou hoje andando de ônibus. Você deve estar pensando que o calor do verão carioca torrou meus miolos(e você pode estar certo) mas eu tenho uma boa explicação pra isso. Nos últimos seis meses andando no maravilhoso 420T (aquele mesmo onde eu já apanhei e fiz um tour pelo Rio), ele já quebrou tantas vezes que já virou até piada na rodovia Presidente Dutra, todo mundo passa e pergunta se já quebrou alum naquele dia e, se não bastasse isso, eu quase morri queimado duas vezes. Continuar lendo

Pequena divagação sobre a lua, a janela e a prancheta.

Com a cabeça doendo de tanto trabalho e horas na tela do computador, alguém me avisa por meio de um status que a lua está linda no céu. Viro o pescoço pra poder olhar por cima da tela. E não é que estava linda mesmo? Será que posso criar uma única janela pra enquadrar essa lua no meu projeto? Será que os hipotéticos ocupantes da residência estudantil que desenho um dia também farão uma pequena pausa no trabalho para admirar a lua por uns instantes? Será que posso utilizar como justificativa para um partido arquitetônico o enquadramento da lua que hoje brilha no céu? Somente as muitas luas que me seguirão até terminar esse projeto me darão a resposta.

Encontrei esse texto que publiquei há mais de um ano atrás no meu facebook. Hoje a situação é um pouco diferente: não vejo a lua, estou longe da janela e meu único contato com o mundo é através desses pixels que se embaralham à minha frente, mas ainda quero criar espaços em que as pessoas possam olhar umas para as outras, olhar a lua, olhar para o que elas quiserem e, pra isso , preciso me trancar aqui, longe disso tudo. Não é um pouco ilógico que, para criar espaços únicos e originais, eu tenha que me privar de conhecer o novo, ficando restrito ao claustro de uma prancheta? Sei que é só uma fase, que logo isso acaba mas não me parece sensato que, justamente aqueles que projetam os locais da convivência humana, tenham que passar tanto tempo isolados. Enfim, divaguei demais e tenho um projeto pra terminar, vou ali olhar mais uma lua e ver o que ela tem a me dizer hoje.