Para além do homem médio

“A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz.” E se não houver luz, o que sobra? Como experienciar a arquitetura sem um dos sentidos mais privilegiados pelos arquitetos que seguem esse princípio?

De repente, tudo o que eu parecia saber sobre o prédio que frequento todos os dias desapareceu. Ainda tinha a imagem mental da edificação, mas a forma como a percebia, os olhos, foram tirados de mim por alguns instantes e isso foi o suficiente para me desnortear por completo. Na ausência da visão, meu corpo tentou preencher a lacuna deixada com outros sentidos, o equilíbrio, o tato e a audição confundiam-se em uma coisa só para me auxiliar em um percurso simples mas que tornou-se incrivelmente difícil. A cada passo, havia a possibilidade de uma armadilha adiante. Pavimentos irregulares e desníveis inesperados nos primeiros minutos, fizeram com que eu diminuísse a velocidade do meu andar natural no restante do caminho. Nesse caminhar vagaroso, as distâncias pareciam absurdamente maiores e Continuar lendo

Tag: minha história em dez músicas

Vi essa tag no blog da Sybylla, achei o máximo, descobri que ela começou no blog da linda e maravilhosa Bruna Vieira e decidi responder contando pra vocês dez músicas que resumem minha vida. Essa foi uma tarefa muito difícil porque escuto música quase 24/7 e pra muitas situações não consegui encontrar a música ideal, ficando na dúvida entre duas(ou cinco) mas vamos parar de enrolação e começar logo. Continuar lendo

A grande serpente de metal Jape-ri

Contam os antigos que há muito tempo um governante de nossa cidade pagou grande quantia em ouro para trazer de terras distantes uma enorme serpente de metal. O governante deu à serpente o nome de Jape-ri e, no início servia apenas ao seu divertimento e de sua corte mas, com o tempo, ele viu o potencial que a besta possuía e ordenou a construção de caminhos para que ela pudesse cruzar todo o território sob seu domínio.

A serpente passou então a transportar as almas dos trabalhadores cansados de uma ponta a outra da cidade e, não bastasse a essas pobres almas o horror de serem engolidas pelo monstro, a agonia ainda era ainda maior dentro dele. Misturados entre as almas dos trabalhadores haviam os encoxadores, demônios que se aproveitavam da superlotação do interior da fera para abusar das almas femininas. Além disso, haviam os arautos do inferno, almas que portavam terríveis dispositivos sonoros que reproduziam uma batida pulsante repetida ad eternum, com um único acorde e letras sem sentido que atormentavam as almas trabalhadoras que só queriam silêncio.

O terrível monstro com seus horrores em suas entranhas cuspia as almas dos trabalhadores em diversos pontos da cidade, sempre mais cansados do que quando entraram e, com o sucesso da besta Jape-ri em oprimir o povo e impedir-lhe a revolta, o governante mandou construir mais caminhos com o intuito de trazer outras serpentes que abrangeriam mais pontos da cidade e deu-lhes o nome de Belford, o Roxo; Saracu-runa e Santacruz.

Até hoje as grandes serpentes afligem o povo e para presenciar seu horror é necessário apenas visitar a grande torre que abriga um relógio conhecida como Central do Brasil.

Deus, a telinha

 Onde você viu essa roupa que está usando?

Acho que foi em um comercial.

Onde foi que ouviu essa gíria que está falando?

Aposto que foi depois do jornal.

Quem foi que te disse tudo isso que você sabe?

Será que você sabe mesmo de algo?

Você pode pensar que o seu pensamento é seu

Mas, na verdade, ele veio de um deus.

O seu deus é de plasma, 42 polegadas,

comprado em 12 vezes nas Casas Bahia, quem diria

Ele manda em você e, sem nem perceber,

você obedece a TV. Continuar lendo

Eu, você, dois incêndios e uma dentadura

É engraçado como o ser humano(leia-se: Eu, me colocando na arrogante posição de representante de toda a raça humana) nunca está satisfeito com nada. Isso pode ser bom por você estar sempre impondo a si mesmo novas metas a alcançar ou ruim por você sempre viver reclamando da vida seja sozinho ou na internet(que também é reclamar sozinho mas com a possibilidade de ganhar uns likes/retweets no processo). Mas não é sobre problemas do mundo atual que eu vim falar hoje.

Tava pensando em como eu sinto falta do ramal Japeri dos trens da Supervia. Ele era realmente muito bom e eu não dava seu devido valor.  Sempre tinha alguma coisa interessante acontecendo pra me distrair, todo aquele contato humano, gente bonita e o mais importante de tudo eu estava muito mais seguro do que eu estou hoje andando de ônibus. Você deve estar pensando que o calor do verão carioca torrou meus miolos(e você pode estar certo) mas eu tenho uma boa explicação pra isso. Nos últimos seis meses andando no maravilhoso 420T (aquele mesmo onde eu já apanhei e fiz um tour pelo Rio), ele já quebrou tantas vezes que já virou até piada na rodovia Presidente Dutra, todo mundo passa e pergunta se já quebrou alum naquele dia e, se não bastasse isso, eu quase morri queimado duas vezes. Continuar lendo