Sobre paredes e caixas

Pés cansados, caminhada sobre a ponte

Tá tudo errado: daqui eu vou pra onde?

Pra onde olho não vejo nada além de caos,

por onde passo, todos esperam um final.

Olhos vermelhos: é só o cigarro ou a depressão?

Muitos falam, quem está com a razão?

Dentro da caixa tudo parece melhor,

mas nada se encaixa, dá pra ficar pior?

Muros decorados pra esconder a repressão,

rosto maquiado pra esconder a depressão.

Nas paredes “do it yourself or die”

O que você disse? Tanto faz…

Alucinação, queda livre, pleno voo,

sexo, drogas, rock and roll

Não sei pra onde vou e nada disso traz paz.

O pesadelo é estar acordado?

Cabeça sempre em movimento

mas tudo em volta parado.

Olhando pra fora não dá vontade de sair,

olhando pro agora não dá vontade de existir.

Cidade de luzes apagadas

Você anda em círculos

porque não sabe aonde ir:

É quase ridículo ver você aí.

A luz do dia já nasceu

mas sua vista ainda é escura

não consegue encontrar o que procura.

O pior cego é aquele que não quer ver

mas talvez a culpa não esteja só em você.

Vivemos em uma cidade de luzes apagadas,

ninguém sente nada

a não ser solidão

E nessa vida isolada, queda livre sem parada,

não faz sentido compaixão.

Todos são só imagens sem original

em constante repetição

Pra qualquer mudança

O ponto de partida é o ponto de interrogação.

Pensamentos Pensantes #19

Fala cambada de eleitor revoltado com tudo das redes sociais. Vamos parar de tretar na internet por um instante e ver mais uma rodada de Doritos, Coca e aleatoriedades no Pensamentos Pensantes de hoje. Chega mais que o post é por conta da casa!

Até a Rainha da Inglaterra se amarra no Insanidade Artificial

1) How many forninhos must a man segurar before you can call him a man?

2) Nível do meu TOC: perder uma parte considerável da minha noite tentando alinhar perfeitamente imagens em uma apresentação do powerpoint.

3) GoPro: o jeito mais caro que inventaram pra tirar selfie.

4) Geração smartphone: tava na sala de espera do dentista hoje e uma criança (chata) de uns seis anos apertou freneticamente um ícone impresso numa revista e, Continuar lendo

Vestido amarelo

E lá estava eu, com uma das garotas mais bonitas que conheço de pé ao meu lado, sem conseguir dizer uma palavra.

Não que eu tivesse alguma coisa pra falar, quer dizer, fazia um calor brutal típico do Rio de Janeiro,eu segurava sua bolsa e todo possível small talk de ônibus sem ar condicionado em engarrafamento já tinha se esgotado. Restava o sol nas nossas caras, um Neil Young procurando pelo seu coração de ouro só com um dos lados do fone(o outro esperava eu começar a conversa), a mochila dela sobre minhas pernas e ela ali, em pé, na minha frente, num lindo vestido amarelo e completamente calada. Continuar lendo

Thought

Yesterday I found her in a random way in a corridor. It’s funny how we rarely meet each other even being inside the same building everyday. “Great modernist junk” she said. Everytime we met, maybe due to the low frequency we do, we talk about nothing and everything at the same time for long moments.

We talked about our classes and I rememberrd when we used to be together all week long.

We talked about London and I wish I could take her by the hand and run through the world.

We talked about ballet and I planned a way to play all the songs I wrote for her on the piano since we first met.

We talked about getting old and I could only think about get old by her side.

We talked about how empty some people are and I realized how she fills me completely with a simple conversation.

But it doesn’t matter. She will never read this. She will never know it because I just thought.

WiFi, São Jorge e velhinhas

Concordo com a Gabriela Ventura, quando ela diz que o convívio com pessoas na vida real é overrated e a internet móvel pode te salvar disso. E antes de você começar a dizer que baseio minha visão de vida em gente da internet, olhe seu feed do Facebook pra ver se você não é influenciado por Portas dos Fundos e Felipes Netos(esse aí ainda existe?) da vida.
Enfim, sou viciado em internet, você também e até minha vó entrou nesse crack(sério). E acho que toda sala de espera deveria ser equipada com WiFi pra proteger a gente de freetalkers e situações constrangedoras como a que passei esses dias.

Estava na sala de espera do consultório da minha dentista aqui em Mesquita em situação de pleno desespero para um viciado em tecnologia: não tinha WiFi na sala, meu 3g não funcionava direito(maldita Oi), não tinha fones de ouvido e tinha deixado meu sketchbook de bolso em casa, ou seja, estava totalmente vulnerável a qualquer senhora carente de atenção freetalker que viesse a se sentar ao meu lado. Mas isso não aconteceu, o que se sucedeu foi algo pior do que conversar sobre o tempo.

Antes disso, uma pequena descrição arquitetônica da sala de espera, um pequeno cubículo de 2,00m por 2,00 com 8 cadeiras daquelas com assento de couro, dispostas em L em duas paredes, a terceira parede tem uma pequena mesa para crianças desenharem e uma TV pequena pendurada próxima ao teto, inacessível até para um braquiossauro assistir às maravilhas da televisão brasileira às duas da tarde, o que significava que eu estava desconfortavelmente próximo a todo mundo nesse espaço. Estava sentada do lado de duas senhoras de aparentes cinquenta anos que, na impossibilidade de verem a novela do Vale a Pena Ver de Novo, começaram a conversar sobre coisas que gente velha sem assunto comenta. Eu, em parte tentando entender por que diabos um macaco pintava quadros na televisão, em parte, tentando acompanhar o que se passava à minha volta, comecei a ouvir o que elas falavam e, no meio de dicas de limpeza e reclamações sobre o comportamento dos filhos, uma delas diz:

“Meu filho diz que eu tô muita velha pra tatuagem, eu acho que não.”

A outra diz:
“Tem isso não, você faz o que quiser da vida, não é ele que paga suas contas. Quer tatuar o quê?”

Nessa hora, a primeira senhora levanta a blusa, deixando o sutiã à mostra e apontando para as costas diz:
” Eu queria uma Nossa Senhora mas o tatuador só tinha São Jorge, então vai ser o santo guerreiro mesmo de cima a baixo aqui nas costas.”

Nesse instante eu queria arrancar meus olhos da face e, antes de me criticar por estar olhando fixamente pra cena, lembre-se das condições arquitetônicas da sala.

E ela seguiu mostrando pra mulher que acabara de conhecer suas costas e desenhando com as mãos o que tatuaria por intermináveis dez minutos. E o que eu quero dizer com isso tudo? Se eu tivesse internet, provavelmente estaria vendo gatinhos(felinos, não machos dotados de beleza) no youtube e não teria passado por isso, eu acho.