Caixa de alfinetes, Tetris e procrastinação

Um dos objetos inusitados que levo pras minhas aulas como estudante de arquitetura é uma caixa de alfinetes, objeto muito útil pra prender pedaços de isopor em maquetes de estudo e usar como caule de árvores em escalas muito pequenas. Como ela é feita de um papelão muito fininho, já se desfez há muito tempo e hoje em dia ando com alfinetes espalhados pelos bolsos da minha mochila, um furo no dedo toda vez que eu tento pegar alguma coisa lá dentro. Esse desleixo com um objeto pequeno do meu dia-a-dia, me fez pensar no tanto de coisa que a deixamos que nos machuque  por pura preguiça de arrumar um pouco as coisas.

Embora as empresas e livros de auto-ajuda tenham estragado a metáfora, gosto de Continuar lendo

10 coisas joinhas sobre 2016

Ano passado fiz uma retrospectiva ilustrada do meu 2015 no instagram.

Esse ano não tive tempo pra desenhar uma dessas, mas tava passeando pelo twitter(também conhecido como minha rede social favorita) outro dia e vi um post que me chamou atenção.

Como não tenho muitos seguidores pra movimentar essa tag no twitter, acabei não participando por lá, mas achei a ideia bem legal porque 2016 aparentemente foi um ano meio bosta pra todo mundo e seria bacana relembrar algumas paradas legais que aconteceram nesse ano. Então vem comigo ver o que rolou de bacana por aqui esse ano. Continuar lendo

Sobre a cultura da faculdade de arquitetura

Tava divagando ontem no twitter sobre a cultura da minha faculdade de arquitetura e decidi compilar aqui pra compartilhar com vocês um pouco do que falei por lá. É meu ponto de vista sobre a minha experiência em quase seis anos de faculdade. Sinta-se à vontade pra discordar de mim e me ajudar nessa discussão.

Crowdus Street Landscape Design Competition – Diego Bonadiman

Essa semana eu consegui estudar um monte de parada que me interessa dentro e fora da arquitetura, analisar alguns projetos que eu fiz na faculdade e fazer pequenas alterações de acordo com conceitos que eu desenvolvi mas não trabalhei muito durante os cursos e tal. Eisso me fez refletir sobre a faculdade e como a cultura da minha FAU é um negócio brutal sem necessidade que não te permite pensar sobre o que tu tá produzindo.

Basicamente, o esquema é: você só faz, faz, faz e Continuar lendo

Para além do homem médio

“A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz.” E se não houver luz, o que sobra? Como experienciar a arquitetura sem um dos sentidos mais privilegiados pelos arquitetos que seguem esse princípio?

De repente, tudo o que eu parecia saber sobre o prédio que frequento todos os dias desapareceu. Ainda tinha a imagem mental da edificação, mas a forma como a percebia, os olhos, foram tirados de mim por alguns instantes e isso foi o suficiente para me desnortear por completo. Na ausência da visão, meu corpo tentou preencher a lacuna deixada com outros sentidos, o equilíbrio, o tato e a audição confundiam-se em uma coisa só para me auxiliar em um percurso simples mas que tornou-se incrivelmente difícil. A cada passo, havia a possibilidade de uma armadilha adiante. Pavimentos irregulares e desníveis inesperados nos primeiros minutos, fizeram com que eu diminuísse a velocidade do meu andar natural no restante do caminho. Nesse caminhar vagaroso, as distâncias pareciam absurdamente maiores e Continuar lendo

Pequena divagação sobre a lua, a janela e a prancheta.

Com a cabeça doendo de tanto trabalho e horas na tela do computador, alguém me avisa por meio de um status que a lua está linda no céu. Viro o pescoço pra poder olhar por cima da tela. E não é que estava linda mesmo? Será que posso criar uma única janela pra enquadrar essa lua no meu projeto? Será que os hipotéticos ocupantes da residência estudantil que desenho um dia também farão uma pequena pausa no trabalho para admirar a lua por uns instantes? Será que posso utilizar como justificativa para um partido arquitetônico o enquadramento da lua que hoje brilha no céu? Somente as muitas luas que me seguirão até terminar esse projeto me darão a resposta.

Encontrei esse texto que publiquei há mais de um ano atrás no meu facebook. Hoje a situação é um pouco diferente: não vejo a lua, estou longe da janela e meu único contato com o mundo é através desses pixels que se embaralham à minha frente, mas ainda quero criar espaços em que as pessoas possam olhar umas para as outras, olhar a lua, olhar para o que elas quiserem e, pra isso , preciso me trancar aqui, longe disso tudo. Não é um pouco ilógico que, para criar espaços únicos e originais, eu tenha que me privar de conhecer o novo, ficando restrito ao claustro de uma prancheta? Sei que é só uma fase, que logo isso acaba mas não me parece sensato que, justamente aqueles que projetam os locais da convivência humana, tenham que passar tanto tempo isolados. Enfim, divaguei demais e tenho um projeto pra terminar, vou ali olhar mais uma lua e ver o que ela tem a me dizer hoje.