“Two Ghosts” e “Love On Top”(ou: o que faz uma canção de bad?)

Li uma vez um texto do meu primo, que transformou uma música sobre assassinato na sua canção de amor, e, nos últimos tempos, tenho feito mudanças de domínio parecidas, mas não tão drásticas quanto essa.

“Two Ghosts “do Harry Styles fala de um casal que se reencontra depois de muito tempo e percebem que, por causa das mudanças que a vida fez neles, não são exatamente as mesmas pessoas de quando estavam juntos. A letra e o arranjo meio country trazem uma melancolia sobre essa separação. O engraçado é que, pra mim, essa música ainda tem a ver com relacionamentos mas me toca de um jeito totalmente diferente. Principalmente no refrão que diz:

We’re not who we used to be
We’re not who we used to be
We’re just two ghosts standing in the place of you and me

Quando a ouço, penso nos amigos que já foram muito próximos mas, que hoje em dia, nem tenho mais contato. Eu mudei, eles mudaram, ainda temos as boas lembranças de quando andávamos juntos mas não somos mais as mesmas pessoas de antes, não faz mais sentido compartilharmos a vida da mesma forma. É triste não ter mais tanto em comum com quem já foi a parte feliz do seu dia mas é bom saber que sempre haverão as boas lembranças desse outro tempo e perceber o quanto algumas mudanças fizeram bem pra todo mundo.

Uma outra música que me toca de um jeito completamente diferente do pretendido pelo autor é “Love On Top” da Beyoncé,  vocais, arranjos e clipes são totalmente pra cima o tempo todo com uma letra que fala do lado bom do amor e tudo o mais mas, só de ouvir o verso inicial, uma badzinha se apodera de mim. E é interessante ver como lugares e pessoas trazem uma nova carga, mudando a nossa percepção de uma música. Antes do meu intercâmbio, essa música era só mais uma da Beyoncé, pra quem eu nem dava muita bola na época. Mas, depois de um Halloween onde cantei essa música com meus amigos numa festa e depois fomos pra casa chorar na cozinha abraçados juntos, ela ganhou outro significado. Virou a nossa música, o som que embalou nossa amizade durante todo o tempo em que estivemos juntos, a representação sonora de um momento único na minha vida. Ouvir “Love On Top” hoje em dia é uma roleta russa, nunca sei se vou sorrir muito lembrando de todas as vezes que cantamos essa música em viagens e outros momentos ou se vai me destruir em pedacinhos com a nostalgia de locais e pessoas que ainda são muito queridas mas que não estão nem estarão mais todos os dias comigo.

Pra mim, a beleza da arte e, principalmente da música é que quando ela sai da mão e da mente do autor pro mundo, pode ter a interpretação que o ouvinte quiser. Essa mudança de domínio pode ir em qualquer sentido, uma música sobre assassinato pode virar uma canção de amor, uma canção de amor pode virar o hino de amizade, uma música sobre separação pode ser sobre boas lembranças, o que é sobre mim pode ser que um dia fale sobre você.

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