Passado, presente, incerteza(fragmentos de mim mesmo)

 

I.

Pés cansados, caminhada sobre a ponte

Tá tudo errado: daqui eu vou pra onde?

Pra onde olho, não há nada além de caos

Por onde passo todos esperam um final

Adress – Julia Borissova

Outro dia me peguei chorando dentro do ônibus. Não sei se foi a primeira vez que fiz isso, não sei se vai ser a última mas foi a primeira vez que percebi que não estava bem. Um choro sem barulho, sem um motivo que eu conseguisse identificar. Apenas lágrimas escorrendo incessantemente pelo meu rosto e a sensação de estar passando por ridículo no transporte público. Tenho medo do futuro, do presente, medo de me permitir qualquer interação mais demorada com qualquer pessoa e, principalmente, tenho muito medo de mim mesmo.

 

II.

Talvez não haja sentido nas velhas canções de amor

Nem na física moderna, nem no rock n’ roll

Mesmo fora de contexto, uma vez ouvi

Que nem tudo o que se sente realmente está ali

Dimitry – Julia Borissova

Essa semana encontrei meu antigo caderno de músicas. Um lugar que guardou muito das minhas ideias sobre a vida e o mundo durante o fim da minha adolescência e começo da vida adulta, o que quer que isso signifique. Foi impactante perceber que o cara que escreveu aquilo sou eu há não muito tempo atrás. Ele tinha tanta certeza, ele acreditava no amor, ele gostava de observar o mundo e criar a partir disso. Pra onde foi tanta certeza, tanta criatividade, tanta vontade de estar junto dos amigos pelo prazer da música? Pra onde foi minha vontade de viver nesse mundo?

III. 

Estou cansado de mim, de viver assim

O tédio me consome, para nada há um fim

Estou cansado de mim, de viver assim,

Dos ciclos infinitos da mesmice que eu mesmo escolhi

Postcards from the edge – Julia Borissova

Fico em paz quando estou criando. É uma das poucas coisas sobre as quais tenho certeza hoje em dia. Transformar toda essa confusão que se passa do lado de dentro em alguma coisa que envolva linhas, cores e curvas do lado de fora. Mas cada scroll no feed do instagram faz com que eu me sinta menor, são tantos artistas incríveis, tanta gente melhor que eu por aí. E sei que não deveria usar outras pessoas como parâmetro pra mim mesmo mas é inevitável fazer essas escalas. Será que o processo deles é tão doloroso como o meu? Será que um dia vou estar completamente satisfeito com o que eu crio? O que deveria me inspirar a melhorar cada dia mais, às vezes só faz com que eu não me ache o suficiente. Mas o que é suficiente? O papel na minha frente continua em branco há uma semana e o lápis pesa como uma pedra.

Espero um dia tocar alguém com o que eu faço.

 

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