Um dia como Dora, a aventureira(ou: como eu fui parar na boca de fumo fazendo trabalho)

Ah! A faculdade de arquitetura! Aquele lugar mágico onde você aprende a sobreviver com duas horas de sono, um copo de café e uma barrinha de chocolate. Onde você aprende o quão letal é um estilete e quantos azulejos existem no Monumento aos Pracinhas.

Eu contei cada fucking quadradinho desse pra fazer a maquete desse monumento

Eu contei cada fucking quadradinho desse pra fazer a maquete desse monumento

Mas nem sempre as aventuras acontecem em volta da prancheta. Essa é uma delas.

Fui visitar o terreno de projeto com uma menina do meu grupo, uma parte da área da nossa proposta é uma favela, até aí nada de mais. A gente queria conversar com alguns moradores conhecer um prédio muito específico que tem uma certa importância no projeto. Nessa de procurar uma forma de entrar nessa edificação, acabamos caindo numa vielinha mega estreita com um cara muito estranho guardando ela. Íamos avançando na rua sem muita preocupação e ele meio que bloqueou e perguntou:

-Vocês tão perdidos?

A gente disse que não, aí ele olhou desconfiado e falou:

-Vocês tão atrás de droga? Tão procurando a boca?

Nessa hora bateu um leve cagaço e minha amiga que é mais socialmente apta do que eu disse:

-Não, tamo não, a gente tá fazendo um trabalho sobre a área e queria saber como é que acessa aquele prédio alto lá.

Eu já tava esperando ele dizer algo como “Cês vão ver prédio alto quando eu mandar vocês pro céu isso sim” e me esburacar igual queijo suíço ali mesmo. Ao mesmo tempo pensava como que eu ia explicar pra minha mãe que eu morri porque parei na boca de fumo por engano(vai por mim, o medo da minha mãe no pós-vida era maior do que o de morrer de uma forma esdrúxula fazendo trabalho da faculdade). No meio desse turbilhão mental, ele abre um sorrisão simpático e diz:

-Vem por aqui não, melhor vocês darem a volta e entrarem pela igreja lá do outro lado.

Meu esfíncter que, nesse momento tinha atingido proporções subatômicas, finalmente pôde relaxar. No entanto, quando a gente estava saindo dessa rua, ele assobia e fala:

-Tem como fazer um favor pra mim?

Voltei a formular dez mil hipóteses absurdas a cada milissegundo e aí ele continua:

-Tem um amigo meu lá, o Rato, um gordinho de camisa azul num carro verde com uma escada em cima, ele deve tá na igreja lá, se vocês encontrarem com ele, diz que o Cabeça tá procurando ele.

A gente concordou, saiu agradecendo pela informação fomos pra igreja mas não vimos nenhum sinal do gordinho por lá. Saindo de lá, me peguei pensando o que a Dora, aventureira faria no meu lugar nessa situação.

Olha a cara de felicidade da Dora saindo com a mochila carregada depois de comprar uns bagulhos com o traficante ali na esquerda.

Olha a cara de felicidade da Dora saindo com a mochila carregada depois de comprar uns bagulhos com o traficante ali na esquerda. E eu acho que ela achou o Rato antes de mim.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s