WiFi, São Jorge e velhinhas

Concordo com a Gabriela Ventura, quando ela diz que o convívio com pessoas na vida real é overrated e a internet móvel pode te salvar disso. E antes de você começar a dizer que baseio minha visão de vida em gente da internet, olhe seu feed do Facebook pra ver se você não é influenciado por Portas dos Fundos e Felipes Netos(esse aí ainda existe?) da vida. Enfim, sou viciado em internet, você também e até minha vó entrou nesse crack(sério). E acho que toda sala de espera deveria ser equipada com WiFi pra proteger a gente de freetalkers e situações constrangedoras como a que passei esses dias. Estava na sala de espera do consultório da minha dentista aqui em Mesquita em situação de pleno desespero para um viciado em tecnologia: não tinha WiFi na sala, meu 3g não funcionava direito(maldita Oi), não tinha fones de ouvido e tinha deixado meu sketchbook de bolso em casa, ou seja, estava totalmente vulnerável a qualquer senhora carente de atenção freetalker que viesse a se sentar ao meu lado. Mas isso não aconteceu, o que se sucedeu foi algo pior do que conversar sobre o tempo. Antes disso, uma pequena descrição arquitetônica da sala de espera, um pequeno cubículo de 2,00m por 2,00 com 8 cadeiras daquelas com assento de couro, dispostas em L em duas paredes, a terceira parede tem uma pequena mesa para crianças desenharem e uma TV pequena pendurada próxima ao teto, inacessível até para um braquiossauro assistir às maravilhas da televisão brasileira às duas da tarde, o que significava que eu estava desconfortavelmente próximo a todo mundo nesse espaço. Estava sentada do lado de duas senhoras de aparentes cinquenta anos que, na impossibilidade de verem a novela do Vale a Pena Ver de Novo, começaram a conversar sobre coisas que gente velha sem assunto comenta. Eu, em parte tentando entender por que diabos um macaco pintava quadros na televisão, em parte, tentando acompanhar o que se passava à minha volta, comecei a ouvir o que elas falavam e, no meio de dicas de limpeza e reclamações sobre o comportamento dos filhos, uma delas diz: “Meu filho diz que eu tô muita velha pra tatuagem, eu acho que não.” A outra diz: “Tem isso não, você faz o que quiser da vida, não é ele que paga suas contas. Quer tatuar o quê?” Nessa hora, a primeira senhora levanta a blusa, deixando o sutiã à mostra e apontando para as costas diz: ” Eu queria uma Nossa Senhora mas o tatuador só tinha São Jorge, então vai ser o santo guerreiro mesmo de cima a baixo aqui nas costas.” Nesse instante eu queria arrancar meus olhos da face e, antes de me criticar por estar olhando fixamente pra cena, lembre-se das condições arquitetônicas da sala. E ela seguiu mostrando pra mulher que acabara de conhecer suas costas e desenhando com as mãos o que tatuaria por intermináveis dez minutos. E o que eu quero dizer com isso tudo? Se eu tivesse internet, provavelmente estaria vendo gatinhos(felinos, não machos dotados de beleza) no youtube e não teria passado por isso, eu acho.

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