Não olha pro lado(porque autistar sempre te complica)

Compartilho com a Gabriela Ventura (minha blogger favorita do momento), a ideia de que vou morrer por causa da minha distração. Uma guerra mundial vai acontecer e eu vou morrer com uma granada na cabeça por estar olhando fixamente para um ladrilho laranja na calçada na hora. Isso de prestar atenção em coisas aleatórias já me rendeu alguns problemas: até hoje acham que eu sou deficiente mental por causa disso(já contei essa história aqui). Hoje não foi diferente.

Quase verão, aquela época maravilhosa do ano em que as garotas bonitas(e as nem tão bonitas assim) saem com pouca roupa na rua: micro-shorts e saias fazem a alegria de nós, rapazes. Voltando da faculdade, sentei no ônibus ao lado de uma dessas musas do verão(e o Felipe Dylon? Morreu ou tá na Record?), coloquei meus fones de ouvido e tentava não olhar como um maníaco pras pernas e pro decote dela. Nessa tentativa desenfreada de não parecer um maluco, parecendo um maluco, vi nas costas da camiseta de um rapaz que estava de pé uma ilustração muito mas muito bem feita mesmo, com aquarela, de Ipanema. E isso me distraiu um pouco da bonitinha do meu lado.

Passei a viagem toda alternando meus olhares entre a guria e o desenho. Sério, foi uma das camisas mais legais que já vi na vida e vocês sabem que minha cabeça de desenhista é facilmente atraída por desenhos legais, por isso acham que sou deficiente mental na mercearia há dez anos. Depois que o cara desceu, tive uma estranha surpresa; a bonitinha me cutuca (eu já me preparando pra ser processado) e diz:

– Nossa, amigo! Você não parou de olhar pra ele a viagem toda! Um gato né?

Respondi com um sorriso sem mostrar os dentes, à la Matt Smith e aumentei o volume dos fones de ouvido.

Ela continuou e, vendo que eu fiquei sem graça, continuou:

-Desculpa ter te deixado sem graça, mas não pude deixar de reparar que você gostou do rapaz. Ele é do meu curso e é hétero. Uma pena pra você, né?

Respondi com outro sorriso sem dentes, mais por ter ficado sem reação que por qualquer outra coisa e, pra não ficar mais sem graça ainda, desci um ponto antes do meu, me despedindo com um aceno de mão da moça que estava do meu lado, que ficou sem entender nada.

Realmente tenho que passar a prestar mais atenção pra onde olho. Qualquer dia desses acabo preso ou morto por isso.

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