The Voice: Nilópolis

Não sei se existem estudos sobre o assunto, mas andar de ônibus é uma experiência antropológica das mais enriquecedoras: todos os tipos de pessoas e situações cabem nesse veículo.Hoje, no maravilhoso 420 T Barra-Nilópolis, onde já apanhei e  já  fiz um tour pelo Rio de Janeiro, tive uma dessas experiências.

Entrei no ônibus e, como de costume, fui à caça do meu lugar pra sentar, que encontrei ao lado de uma senhora vestida de preto. Sentei, coloquei meus fones de ouvido e, antes do fim da primeira música, comecei a ouvir uns sons agudos vindos da mulher do meu lado. Por pouco tempo achei que ela estava passando mal, mas logo percebi que ela estava na verdade cantando. Pensei comigo: “Beleza, ela se empolgou nessa música, já já para.” Mas, pra minha surpresa(e de todo o ônibus), ela não parou, pelo contrário, começou a cantar a música seguinte mais alto ainda. Tentei me convencer de que a viagem seria rápida e que eu chegaria depressa em casa quando fui lembrado por um engarrafamento na Via Dutra que tinha entrado no ônibus às 4 da tarde de uma sexta-feira, ou seja: não chegaria tão cedo em casa.

Depois de alguns minutos no engarrafamento, uma forte chuva começa e a maravilhosa vedação do 420T permite que a água passe pela janela. Qual não foi a minha surpresa ao ver que a nossa nova revelação da música parou de cantar por um minuto e retirou da sua bolsa uma gigante sacola plástica preta que usou para cobrir a entrada de água. Pensei na hora: “Realmente andar de ônibus ensina um pouco de MacGyverismo a todo mundo”. Já ia agradecer a Odin e respirar aliviado por ter meus ouvidos aliviados daqueles agudos mais estridentes que os do Axl Rose quando, depois de reparado o pequeno problema técnico, nossa artista retoma o show.

Mesmo com todo o ônibus olhando com ar de reprovação, ela seguiu olhando pra janela e fazendo sua apresentação. Ia lançar meu olhar intimidador pra dona, mas lembrei que os meus não são muito eficientes. Então segui até o meu ponto com um show particular de música gospel: mais de duas horas ampliando meu espectro musical e perdendo 5% da audição a cada agudo dela.

Deveria ter gravado um vídeo e enviado para a produção do The Voice, com certeza ela entraria no time da Cláudia Leitte.

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