O trem, o bêbado e o estilete

Tem coisas que só tem graça depois que acontecem não é? E tem coisas que só tem graça quando acontecem com os outros. O causo que vou contar pra vocês hoje teria sido hilário se não tivesse acontecido comigo.

Na semana anterior ao carnaval, voltava pra casa no maravilhoso trem com destino a Japeri, onde acontecem minhas maiores aventuras. A viagem seguia naquela paz que só o trem lotado proporciona quando vejo algo que viria a perturbar o equilíbrio. Um senhor de uns 60 anos, visivelmente bêbado, não estava conseguindo se manter de pé e, conforme o trem balançava, esbarrava num homem com cara de poucos amigos que estava no fundo do vagão. O bêbado permaneceu esbarrando nesse camarada por umas 5 estações até que ele se enfureceu e começou a xingar o velho alcoolizado.

Não teria sido nada de mal se, no meio dos xingamentos, o cara do fundo do vagão não tivesse sacado uma faca Olfa do bolso. Vocês sabem o que é uma faca Olfa, amiguinhos? É uma arma branca usada por estudantes de arquitetura para fazer maquetes, mas que não deixa de ser uma arma branca em potencial.

O Rambo tem uma dessas no bolso(e, não, não estou sendo pago pela Olfa)

O cara do fundo do vagão ameaçou partir o bebum em 15 pedaços e,  já conhecendo o potencial do estilete devido aos muitos cortes que eu tenho no dedo, fiquei tenso. Meu nervosismo aumentou quando o bêbado disse que tinha uma arma na bolsa e começou a procurá-la. Nessa hora confesso que meu esfíncter se reduziu ao diâmetro de um fio de cabelo. O nervosismo não tomou conta apenas de mim, assim que o bebum anunciou ter uma arma, uma senhora que estava em pé, perto da confusão começou a passar mal e parecia que era do coração. “Alguém vai sair morto aqui e espero que não seja eu”, veio num balão de pensamento à minha cabeça.

O bêbado continuou a procurar a arma que disse que tinha na bolsa e, vendo que ele estava demorando muito, pensei em duas hipóteses:

1) Ele estava drunk as hell e, por isso não achava a arma;

2) Ele não tinha arma nenhuma.

O cara do estilete chutou na segunda alternativa e, sem medo da morte, começou a esbravejar:

Tu não tem arma, p#%%@ nenhuma, velho safado! Eu vou te partir em três!

A senhora que passava mal do coração começou a tremer ali e distraiu nosso amigo estressadinho, o bebum, vendo que o negócio ia ficar feio pro lado dele, aproveitou a distração e desceu na estação de Ricardo de Albuquerque, trocando os passos mas sem ser notado.

A confusão passou, eu cheguei em casa inteiro e contei a história pro meu pai que disse que quando esse tipo de coisa acontecer, eu devo me afastar. Mas a pergunta é: me afastar pra onde dentro do Japeri?

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3 comentários sobre “O trem, o bêbado e o estilete

  1. Luis Guilherme disse:

    Histórias de um trem carioca!! Está aí uma sugestão para um livro… Pode usar o título, me conformo com um agradecimento ou dedicatória… :D!!

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