Não olha pro lado quem tá passando é o ônibus(ou: porque hoje eu odeio segunda)

Nunca entendi o porquê de as pessoas odiarem tanto a segunda-feira. Quer dizer, até hoje.

Hoje foi um daqueles dias que deu errado desde o começo. Começou com a minha mãe dizendo que não tinha bicicleta pra eu ir até o ponto, então tive que ir andando. Além disso, não tinha almoço também, então eu teria que comprar alguma coisa pra comer e eu odeio comer na rua pelo simples e infantil motivo de não ser a comida da minha mãe. No almoço, a comida no restaurante de onde eu estagio tinha acabado então fui forçado a comer um salgado cuja data não poderia ser determinada nem usando carbono 14. E, na volta pra casa, tive a deliciosa sensação de ter uma axila suada na minha cara.

Mas a aventura de hoje se passa na manhã, depois de descobrir que não tinha bicicleta e antes de comer o salgado fossilizado. Peguei o maravilhoso 420T Nilópolis-Barra, onde já fui agredido por uma senhora muito bem-educada, na esquina de casa, coloquei uma musiquinha pra tocar e seguia em paz ao lado de uma gatíssima estudante de Letras até que, na entrada da Via Dutra pra Linha Vermelha, um princípio de engarrafamento se mostra. O motorista do ônibus em toda sua inteligência, decide ir pela Avenida Brasil  para evitar o trânsito da Linha Vermelha(o que é tipo trocar um chute no saco por um tiro no joelho). Até aí estaria tudo bem se o motorista soubesse o que estava fazendo. Na sua ânsia por fugir do trânsito mais uma vez, o camarada entra em Costa Barros, passando por ruas estreitas que obviamente não comportam ônibus. (Nota: estava tenso pelo motorista ter desviado da rota, mas estava pouco me importando porque a gatinha de Letras tinha adormecido sem nenhuma graça e elegância em cima do meu ombro)

Imagine uma garota bonita com o mesmo charme ao dormir deste senhor

Imagine uma garota bonita com o mesmo charme ao dormir deste senhor

Depois de Costa Barros, o motorista passa por Vista Alegre e, nesse momento, os ânimos dos passageiros começam a se exaltar. Entre xingamentos e ameaças de morte, o motorista entra numa rua sem saída em Vista Alegre. Não sei como diabos ele conseguiu essa façanha já que eu, mesmo sentado no fundo do ônibus, tinha reparado que a rua era a entrada de uma vila. Além de não perceber que a viela não tinha saída, o condutor ainda tentou avançar enquanto um dos carros do final da vila tentava sair. De repente alguém dentro do ônibus pergunta:

– Cê tá perdido, camarada?

E ele, tentando disfarçar que não sabia o que estava fazendo diz:

– Tô nada, é que esse trânsito né? Muito trânsito né? ahn… É que eu vou pegar a entrada pro Fundão em Bonsucesso, sabe? E por aqui é caminho né?

Nessa hora, a única imagem que vinha na minha cabeça era essa:

https://i1.wp.com/i.imgur.com/OgxPr.jpg

Depois de Vista Alegre, fomos parar em Brás de Pina onde um pequeno engarrafamento estilo Linha Vermelha se formava. Comecei a refletir filosoficamente sobre qual o sentido da pressa do homem moderno e depois de profunda meditação, descobri que simplesmente não há sentido nisso.

Quando terminei minha meditação, estávamos de volta à Avenida Brasil, enfrentando um trânsito que faria a cidade de São Paulo sentir inveja. Nisso reparei que a gatinha de Letras tinha babado no meu ombro e comecei a pensar se realmente valia a pena deixá-la dormindo em cima de mim, mesmo com aquela “boniteza” toda. Me mexi um pouquinho só mas foi o suficiente pra menina acordar e reparar que o ônibus tinha saído do caminho padrão. Ela acorda, limpando a baba e grita:

– C@%//%0! Onde a gente tá, cara?

Eu respondi que a gente estava na Avenida Brasil e nesse momento já estávamos nos aproximando de Bonsucesso para entrar no Fundão. A menina então se acalmou e, depois de mais alguns infindáveis trinta minutos, finalmente chegamos à ilha do Fundão. Estava prestes a respirar aliviado por finalmente chegar ao meu campus e poder pegar o ônibus interno em direção ao meu prédio quando, ao descer do ônibus, me deparo com isso:

Créditos pra minha amiga Lulu que tirou a foto

Créditos pra minha amiga Lulu que tirou a foto

Um engarrafamento fenomenal DENTRO da ilha do Fundão, mais trinta minutos dentro do ônibus. É oficial: a partir de hoje eu odeio segundas-feiras.

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4 comentários sobre “Não olha pro lado quem tá passando é o ônibus(ou: porque hoje eu odeio segunda)

  1. Stephanie Mostav disse:

    Bem, você passou por apenas um trecho da Avenida Brasil numa segunda-feira. Eu atravesso a bendita de Campo Grande até Bonsucesso em um ônibus PARADOR. Quatro horas diárias dentro de um ônibus não fazem bem à sanidade de ninguém.

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