Primavera

 Era primavera, mas não era como descrevem nos contos.

Era uma dessas primaveras sujas do Rio de Janeiro.  Onde as flores nascem mas são cobertas pela fuligem dos carros.

Onde flores nascem e não são vistas.

Era primavera, mas não havia amor como descrevem nos contos.

Havia um sentimento individualista, misto de indiferença com avareza.

Era primavera, mas não havia cor como descrevem nos contos.

Os dias eram cinzentos e malcheirosos.

Era primavera, mas ninguém se apaixonou como descrevem nos contos.

Feriram-se, mataram-se, trapacearam, e espalharam sementes

Mas não eram sementes de flores como descrevem nos contos

Eram sementes do que há de pior na essência dos homens,

Sementes que se fincarão à terra, germinarão e florescerão

Na próxima primavera.

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