Nada a fazer

Acordo, olho para o relógio, são oito da manhã. Levanto e olho pra janela, o céu incrivelmente azul e o sol brilhante, me dizem que é verão. Ando um pouco e vou até o armário, os uniformes deixados de lado me lembram que estou de férias e que não precisava ter acordado cedo. Após o café da manhã e algumas tarefas do lar, não há mais nada a fazer.

Nove horas da manhã. Não há mais nada a fazer, ninguém pra encontrar, nenhum trabalho ou lição de casa deixado pra última hora…

Dez horas da manhã. Ainda não há nada a fazer. Minhas irmãs começam a acordar então, um pouco mais de movimento e barulho, mas, por enquanto, ainda não há nada a fazer.

Onze horas. Algo me incomoda. Acredito que seja o tédio misturado a saudade. Saudade tanto das pessoas como da rotina. Saudade da rotina? Rio. É realmente engraçado como algumas coisas acontecem, há exatamente duas semanas eu estava implorando por essas férias e agora me pego dizendo que estou com saudade da rotina. Não acho que seja da rotina em si mesma, mas do que fazia parte dela; sair de casa; às onze e meia, pegar um trem, chegar no colégio, andar pelo pátio e esperar sempre no mesmo lugar os amigos. Os amigos. Esse foi um ano difícil pela expriência de começar a estudar em duas escolas, mas superei, mais fácil do que eu imaginava, com a ajuda de Deus e também dos meus amigos. Amigos, sim, agora descobri. Amigos, é exatamente deles que estou sentindo a maior falta agora. Somos um grupo de loucos, nossas características e perspectivas não se combinam de forma alguma, eu, o único menino no meio de várias meninas totalmente diferentes de mim e ainda sinto falta delas, realmente sinto falta. Falta. Palavra que agora é mais do que presente no meu vocabulário. Falta das meninas, falta das aulas, falta do recreio, falta daquele pátio, cenário das nossas tardes, nossos risos, nossas brigas, enfim, onde tudo acontece. Tudo. É o contrário do que eu faço agora, que é nada. Nada. Me sinto incompleto, mas algo me chama a atenção, estava num visível devaneio, lembrando de tudo o que aconteceu durante esse ano, entre risadas e momentos de seriedade, estavam me observando. Não me importo, volto aos meus pensamentos, agora melancólico. Me trouxeram a realidade e minha mente não estava mais no colégio, estava agora em casa, sentado, novamente sem nada a fazer, e não em pé no pátio com meus amigos.

Uma hora da tarde, o horário da entrada. Penso em querer logo voltar para o colégio, rever as minhas garotas, ter aulas (por que não?), e voltar à monotonia, não a monotonia das férias, onde eu fico sozinho, mas a monotonia das aulas, na qual eu estou cercado das minhas queridas pessoas. Saio dos meus pensamentos, agora por vontade própria, mas ainda não há nada a fazer…

Anúncios

Um comentário sobre “Nada a fazer

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s